segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Minha Infância

Que chuchú não?!



Olá povo lindooO!!!
sei que já se passou o dia das crianças mas, hoje quero  compartilhar minha infancia com vocês. Vamos lá!?


Costumo dizer que vivi a minha infância sem pressa e prazo de validade, e sinceramente afirmo que ela não foi até os 12 anos de idade como afirmam teóricos como Jean Piaget, minha infância só foi encerrada por mim após os 15. E faço questão de estar sempre revivendo-a ao ver fotos, ler historinhas, brincando com outras crianças comendo bombons antigos que me remetem a ela que a deram um toque mais doce. Lembro-me de dias curiosos, incansáveis, e sempre curtos demais para as meus criativos faz de contas.
Bom, recordo-me daquela época (não tão distante) de lugares e pessoas, e cheiros com muita facilidade, aliás, recordo-me até mesmo de sonhos e pesadelos que tive ainda pequena. Meu irmão mais velho costuma dizer que, ou eu tenho uma “memória de elefante”, ou eu invento muita coisa, mas eu prefiro pensar que eu vivi bem a minha infância, e que eu estava em um mundo inabalável incontestável e inesquecível.
A escola não veio tarde, pois tenho na memorias muitos momentos de recreações e crianças pequenas perto de mim, meu pai me deixando em uma casa em que haviam mulheres que chamávamos de “tia” em um lugar parecido com a escola, mas que parecia bem mais divertido. Eu amava!
Uma das recordações que tenho um tanto vagas e imagino que eu devia ter em torno dos 4 ou  5 anos, é de minha mãe deixando eu e minha irmãzinha mais nova  na casa da vizinha que morava de frente a qual eu chamava de “tia Selma”, ela tinha duas filhas e um filho um tanto mais velhos que eu e  me divertiam muito levando-me para brincar no quintal empoeirado deles até a hora de voltar para casa.
Ainda nesta fase eu recordo os dias que sofria sem minha chupetinha que a mamãe tanto tentava tirar de mim e meu querido paizinho trazia escondido novamente só pra me deixar feliz ou seria para me fazer parar de chorar?
Falando do meu pai ele era e imagino que ainda seja apaixonado por mim, aliás, eu era a segunda filha de três também conhecida como a “do meio”, tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova e agora tem o recém chegado do segundo casamento do meu pai, o que acredito que não me torna mais a sua filha “do meio”. Meus irmãos acreditam até hoje que eu sempre fui o xodó do meu pai e de fato eu era a mais dengosa e a mais apegada. Meu pai sempre me fala deste apego comum certo orgulho e conta que quando eu era bebê sempre que ele saía para trabalhar me deixava aos prantos ao vê-lo saindo. Ele passava mais tempo com agente do que a mamãe, pois ele era funcionário autônomo e ela trabalhava no comercio, portanto ele tinha mais tempo para brincar com agente, e agente fazer dele cavalinho. Meu pai nos levava para o nosso quintal que para mim na época pelo que me lembro era muito grande e lá ele brincava de fazer panelinhas de barro, de fazer reciclagem com as garrafas Pet, carrinho, óculos, chapéus, e como tínhamos um tanque abandonado nos dias de muito calor ele permitia que agente brincasse de piscina nele, sempre nos vigiando.
A minha mãezinha até hoje se diverte muito pouco com agente, pois ainda trabalha tanto ou mais do que antes. A maioria dos momentos que estávamos com ela eram de reclamações ou era respondendo a lição de casa, mas me parece que todas as mães são um pouco mais fel do que os pais, no entanto, eu amava ficar perto dela e ela perto de nós. O seu trabalho nos roubava muitos finais de semana, mas não foram nada que a impedisse de nos recompensar com passeios e brinquedos, por mais apertados que a nossa situação financeira nos fosse, eram três filhos então tudo era triplicado. As roupinhas quando compradas, e sempre por ela própria eram bastante coloridas e iguais para as suas duas lindas filhas e bem estilosas para o seu primogênito. Ela era, e é uma bela, jovem e inteligente mãe.
Eu e meus irmãos sempre tivemos babás desde a época em que morávamos em Salvador, eu tinha por volta dos 2 anos quando retornamos a minha cidade natal, algumas delas  também fizeram minha infância divertida, uma que marcou mais foi a Rose ela era grandona,  bem alta e era engraçada, na época dos piolhos ela quem catava com muito carinho, fazia recitas esquisitas e gostosas, acho que por isso que meu irmão aprendeu a inventar receitas. Rose ficou conosco dois anos e quando ela foi embora eu me lembro de ter sofrido um pouco mais, era com ela que eu aprendia piadas e ria muito com as suas resenhas, pra ela eu perguntava aquelas perguntas sem noção de criança, eu sempre fui de me apegar fácil às pessoas, meus animais de estimação que o digam. Tive vários cãezinhos, tartarugas e gatinhos e quando morriam ou ia embora a chorona da casa (eu) ficava inconsolável. Com o tempo aprendi a lidar com este sentimento de perda e a controlar minhas emoções.
Aproveitando pra falar sobre resenha, apesar de nunca ter feito fortes resenhas a respeito da aparência dos outros colegas evitando mágoa ou brigas, eu sempre fui “gaiata”. Lembro-me de sempre que eu ia sair ou dormir fora da minha casa minha mãe dava logo a voz: “Deixa de gaiatice e se comporta.” Eu era muito risonha, de tudo eu achava graça (e sou assim até hoje) meu irmão mais velho era o meu companheiro nas gargalhadas dormíamos tarde da noite rindo de piadas sem nexo.
Nas férias ou nos fins de semana a minha mãe me deixava ir dormir ou passar uma temporada na casa de sua irmã, a tia que tenho como segunda mãe. Eu diria que 25% da minha infância foi na casa da minha tia brincando com as minha primas, mas a Jessica, ou como a chamamos carinhosamente Jel, era diferente pois falávamos a mesma língua, tínhamos pouquíssima diferença de idade, 6 meses apenas então falávamos a mesma língua.
Brincávamos de um tudo, e tudo para nós era brinquedo, muitos dos brinquedos que ela tinha eu não tinha então pra mim era mais do que uma colônia de férias era a brinquedolândia, e na época do grupo “É o Tchan” fazíamos questão de na frente da tv imitar as dançarinas. Bons tempos aqueles.  Compartilhávamos tudo, íamos para todos os clubes, fazíamos muitos passeios e eu sempre conhecia a roda de amigos novos dela a cada férias que chegava. Éramos realmente irmãs inseparáveis, brincavam até que éramos gêmeas. Mas quando acabavam as férias ou os dias estipulados por mamãe, eu ficava aos prantos.
Na minha casa eu tinha um irmão mais velho que não brincava as mesmas brincadeiras, e minha irmã mais nova não entendia as minhas brincadeiras. Era certo eu chegar em casa de mau humor e de cara fechada. Logo com ameaças da minha mãe de que se eu continuasse assim eu pararia de ir pra casa da minha tia, eu parei com este meu chilique.
No quintal na minha casa tem um quartinho e lá eu diria que foi o inicio da pedagogia na minha vida. Lá eu e minha irmã brincávamos de tudo, era um cubículo, mas para nossa imaginação era a nossa casinha, o supermercado a nossa escolinha. Foi ali que meu irmão nos ensinava lições básicas da escola, e foi ali que comecei a gostar de ser professora fazendo da minha irmã a minha aluninha. Usávamos nossos brinquedos de panelas e tudo o que a imaginação nos permitia transformar para construir o cenário perfeito pegávamos até mesmo as coisas de casa, mamãe sempre chiava porque quando levávamos pra lá o que era útil pra ela não seria mais.
Comidinha de mato, bonecas, e tapetes de fuxico feitos pela minha avó paterna construíam a nossa casinha e o acordo com minha irmã era que quem estuda de manhã brinca a tarde e quem estuda a tarde brinca de manhã, e quando era férias tinha que caber as duas. Por falar em minha avó paterna, é impossível, diria falar da minha infância e não falar dela. Quando os fins de semana não eram na casa da minha tia materna com minha prima, ou em casa brincando com os coleguinhas da rua meu pai nos levava para a casa dela. Ela amava nossa companhia e sempre nos ensinava a costurar, (foi ela quem me ensinou!) quando não era hora de costurar estávamos na cozinha ela preparava doces caseiros e sempre comprava uma besteirinha, e lá perto dela moravam dois primos meus que nos atraiam com suas brincadeiras, e como tinha muitas plantas na vizinhança era certo ou voltarmos além de sujos, também cortados, porque nos acabávamos brincando de pega-pega e pique esconde no meio do mato alto. E pra encerrar a visita a vovó delicada vinha com a mão trincando de moedinhas, sempre imaginei que ali era uma forma dela expressar o carinho e a gratidão por estarmos com ela.  Quando já noitinha agente voltava pra casa, mas se minha mãe estivesse trabalhando ainda íamos busca-la. E lembro-me de nesta época estar sendo alfabetizada então de dentro do carro, vendo os letreiros e os outdoors eu amava ficar lendo em voz alta. Em meio a estas brincadeiras sofri com a separação dos meus pais e, mas do muito que chorei continuei sendo criança e com um pouco de egocentrismo achei que agora tudo dobraria pra mim. Mas eu só achei mesmo.
Minha avó materna não menos importante também nos deixava fazer aquela baguncinha no seu quintal, mas depois não tínhamos como escapar da bagunça precisávamos arrumar se não ela ficava muito brava. No final aquela merendinha e nada diferente das outras avós sempre nos trazia aquelas moedinhas e um “Deus te abençoe” ao despedir-se após pedirmos a benção.
Enfim, na escola eu tagarela toda, mais muito elogiada por ser inteligente e obediente, mas admito já fiz minha mãe comparecer na diretoria por eu dar umas conversadinhas durante a aula, mas a culpa era sempre das minhas colegas que sentavam perto de mim e me disparavam. Passei por muitas escolinhas particulares durante a minha educação infantil, mas uma me marcou muito até hoje, a Escolinha Bem Me Quer, onde aprendi a ler e escrever.
Se há algo que marcou a minha alfabetização com intensidade foi a minha dificuldade em realizar os exercícios, e lá em casa a função era da minha mãe que apesar de ter tido dificuldades para estudar era sempre muito inteligente e queria que nós não sofrêssemos o que foi um dia as sua frustração, não ter estudados até a Faculdade. Ela que às vezes muito cansada e acredito que até estressada vinha e me ensinava, e quando era dia de matemática, estava armada a confusão! Acabava meu pai intervindo acho que com medo dela me sentar um tapão. Porém o que acredito trazer a memória é o que realmente vale a pena se lembrar; a maneira como fui persuadida na escolinha a aprender a ler e escrever e a insistência e preocupação da minha família com o meu futuro. E se estou hoje aqui é porque os seus gritões mãe me fizeram entender que o estudo é tão importante na vida de uma criança como o brincar e o comer.
A doce professora Rosa, prendia minha atenção primeiramente por seus longos e encaracolados cabelos, e sempre com seu sorriso memorável e seu meigo jeito de nos dizer “não meu amor, não é assim” ou então um satisfatório (ao menos para mim) “Parabéns!”. Com esta professora tudo ficava prazeroso. Posso até está romantizando a historia, mas as marcas da compreensão e paciência que esta minha “Doce Professora” me deixou são reais até os dias de hoje. Mais tarde, mudando de serie não tive mais o mesmo contato com ela e logo ela teve de se ausentar.
Ela marcou-me o suficiente para eu não só aprender (apesar das dificuldades), mas também imita-la, como havia dito anteriormente, amava brincar de Escolinha, e de preferencia eu queria ser a professora. Como eu me divertia!
Trazendo a memória momentos da minha alfabetização lembro-me de uma professora amável e divertida, a Pró Rosa nunca me pareceu ser chata e nem alienada, apesar de naquela época eu não ter senso critico ainda (acredito) na verdade não há recordações ruins sobre ela.  Talvez toda a dificuldade que enfrentei durante os meus primeiros passos de aprendizagem realmente não deva ser significativa ao ponto de roubar a mensagem que para mim hoje como futura Pedagoga, Professora é muito mais importante, o de envolver o aluno equilibrando conhecimento com afeto, afinal é uma profissão totalmente ligada ao próximo. E durante minhas series iniciais muitas professoras com quem estudei eram atenciosas e preparadas. Muitas delas ainda atuam na mesma escola onde eu estudei, ensinando as mesmas series.
Em resumo a minhas series iniciais da alfa a 1ª serie era aprendendo a ler brincando, 2ªserie fui para escola da igreja e não tem como esquecer os piolhos e os meus paqueras que aliá nem dava bola, 3ª a 4ª serie preconceitos por parte de alguns da turma, porém eu nunca me inibia e nesta fase eu era fã da dupla Sandy e Junior e na escola quando era dia das crianças eu e um colega meu sempre os imitávamos. E nesta mesma época eu já estava me envolvendo com os ministérios da igreja pra minha idade e ganhava sempre um destaque. Digo que não deu tempo das chacotas dos colegas me fazerem chorar. Logo superei e isto passou a ser pra mim apenas uma  fase assim como o complexo de inferioridade que quase desenvolvi, acredito que eu soube canalizar  para as brincadeiras e para as atividades que mais me davam prazer. Aqui dou destaque para a importância do brincar para a criança parecia que nas minhas brincadeiras eu extravasava, e refazia meus pensamentos de novo assim meio que inconscientemente eu fui aprendendo que o melhor remédio era brincar.
 Logo meus pais não tendo mais como nos manter em escolas particulares na 5ª serie do fundamental fui para a escola publica e lá conheci meu noivo lindo, e esta é mais uma daquelas longas historias do destino, escritas pelos dedos de Deus. Trocávamos cartinhas, mas e inocentemente ele queria me namorar, mas eu obedecia meus pais e deixei claro que eu só queria estudar. Na 7ª serie mudei de escola e nos distanciamos, mas o tempo nos pregou uma peça e olha nós aqui agora noivando. Com minhas bonecas Barbies na mochila nesta idade ainda elas iam me acompanhando e no intervalo enquanto as outras meninas brincavam de “bonecos” eu fazia questão de na sala sozinha brincar com minhas bonequinhas e aproveitando cada segundo da “inocência” que em mim ainda havia. Enfim nesta serie eu tinha 13 anos e sei que a infância acabaria mais ou menos aqui, mas acredito que ela não acaba ela dorme e se desfaça assim eu senti.
 Às vezes penso que por ter sido muito mimada por meu pai e ter tido muito da minha mãe é que sou assim, me sinto em uma infância sem fim, mas a minha infância teve sem duvida a atenção o cuidar, educar, e brincar que toda criança deveria experimentar. Hoje tenho uma sobrinha e é com ela que revivo e relembro coisas da minha infância, é com ela hoje que brinco de ser criança.
Concluo dizendo que esta nada breve fase da minha vida na pratica tem seu fim, mas acredito que dentro de nós a infância nem sempre precisa de uma criança para ressurgir.  Afirmo que tudo que pude graças a Deus e aos meus pais eu vivi, não pulei nenhuma fazer e meus pais mesmo não tendo recebido a melhor infância souberam juntos ou separados construiu um pouquinho de mim. Nasci, chorei, sorri, brinquei, fiz tudo o que uma criança tem direito nesta vida de viver.







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