Olá povo lindooO!!!
sei que já se passou o dia das crianças mas, hoje quero compartilhar minha infancia com vocês. Vamos lá!?
Costumo
dizer que vivi a minha infância sem pressa e prazo de validade, e sinceramente
afirmo que ela não foi até os 12 anos de idade como afirmam teóricos como Jean
Piaget, minha infância só foi encerrada por mim após os 15. E faço questão de
estar sempre revivendo-a ao ver fotos, ler historinhas, brincando com outras
crianças comendo bombons antigos que me remetem a ela que a deram um toque mais
doce. Lembro-me de dias curiosos, incansáveis, e sempre curtos demais para as
meus criativos faz de contas.
Bom,
recordo-me daquela época (não tão distante) de lugares e pessoas, e cheiros com
muita facilidade, aliás, recordo-me até mesmo de sonhos e pesadelos que tive
ainda pequena. Meu irmão mais velho costuma dizer que, ou eu tenho uma “memória
de elefante”, ou eu invento muita coisa, mas eu prefiro pensar que eu vivi bem
a minha infância, e que eu estava em um mundo inabalável incontestável e
inesquecível.
A
escola não veio tarde, pois tenho na memorias muitos momentos de recreações e
crianças pequenas perto de mim, meu pai me deixando em uma casa em que haviam
mulheres que chamávamos de “tia” em um lugar parecido com a escola, mas que
parecia bem mais divertido. Eu amava!
Uma
das recordações que tenho um tanto vagas e imagino que eu devia ter em torno
dos 4 ou 5 anos, é de minha mãe deixando
eu e minha irmãzinha mais nova na casa
da vizinha que morava de frente a qual eu chamava de “tia Selma”, ela tinha
duas filhas e um filho um tanto mais velhos que eu e me divertiam muito levando-me para brincar no
quintal empoeirado deles até a hora de voltar para casa.
Ainda
nesta fase eu recordo os dias que sofria sem minha chupetinha que a mamãe tanto
tentava tirar de mim e meu querido paizinho trazia escondido novamente só pra
me deixar feliz ou seria para me fazer parar de chorar?
Falando
do meu pai ele era e imagino que ainda seja apaixonado por mim, aliás, eu era a
segunda filha de três também conhecida como a “do meio”, tenho um irmão mais
velho e uma irmã mais nova e agora tem o recém chegado do segundo casamento do
meu pai, o que acredito que não me torna mais a sua filha “do meio”. Meus
irmãos acreditam até hoje que eu sempre fui o xodó do meu pai e de fato eu era
a mais dengosa e a mais apegada. Meu pai sempre me fala deste apego comum certo
orgulho e conta que quando eu era bebê sempre que ele saía para trabalhar me
deixava aos prantos ao vê-lo saindo. Ele passava mais tempo com agente do que a
mamãe, pois ele era funcionário autônomo e ela trabalhava no comercio, portanto
ele tinha mais tempo para brincar com agente, e agente fazer dele cavalinho.
Meu pai nos levava para o nosso quintal que para mim na época pelo que me
lembro era muito grande e lá ele brincava de fazer panelinhas de barro, de
fazer reciclagem com as garrafas Pet, carrinho, óculos, chapéus, e como
tínhamos um tanque abandonado nos dias de muito calor ele permitia que agente
brincasse de piscina nele, sempre nos vigiando.
A
minha mãezinha até hoje se diverte muito pouco com agente, pois ainda trabalha
tanto ou mais do que antes. A maioria dos momentos que estávamos com ela eram
de reclamações ou era respondendo a lição de casa, mas me parece que todas as
mães são um pouco mais fel do que os pais, no entanto, eu amava ficar perto
dela e ela perto de nós. O seu trabalho nos roubava muitos finais de semana,
mas não foram nada que a impedisse de nos recompensar com passeios e
brinquedos, por mais apertados que a nossa situação financeira nos fosse, eram
três filhos então tudo era triplicado. As roupinhas quando compradas, e sempre por
ela própria eram bastante coloridas e iguais para as suas duas lindas filhas e
bem estilosas para o seu primogênito. Ela era, e é uma bela, jovem e
inteligente mãe.
Eu
e meus irmãos sempre tivemos babás desde a época em que morávamos em Salvador,
eu tinha por volta dos 2 anos quando retornamos a minha cidade natal, algumas
delas também fizeram minha infância divertida,
uma que marcou mais foi a Rose ela era grandona, bem alta e era engraçada, na época dos
piolhos ela quem catava com muito carinho, fazia recitas esquisitas e gostosas,
acho que por isso que meu irmão aprendeu a inventar receitas. Rose ficou
conosco dois anos e quando ela foi embora eu me lembro de ter sofrido um pouco
mais, era com ela que eu aprendia piadas e ria muito com as suas resenhas, pra
ela eu perguntava aquelas perguntas sem noção de criança, eu sempre fui de me
apegar fácil às pessoas, meus animais de estimação que o digam. Tive vários
cãezinhos, tartarugas e gatinhos e quando morriam ou ia embora a chorona da
casa (eu) ficava inconsolável. Com o tempo aprendi a lidar com este sentimento
de perda e a controlar minhas emoções.
Aproveitando
pra falar sobre resenha, apesar de nunca ter feito fortes resenhas a respeito
da aparência dos outros colegas evitando mágoa ou brigas, eu sempre fui
“gaiata”. Lembro-me de sempre que eu ia sair ou dormir fora da minha casa minha
mãe dava logo a voz: “Deixa de gaiatice e se comporta.” Eu era muito risonha,
de tudo eu achava graça (e sou assim até hoje) meu irmão mais velho era o meu
companheiro nas gargalhadas dormíamos tarde da noite rindo de piadas sem nexo.
Nas
férias ou nos fins de semana a minha mãe me deixava ir dormir ou passar uma
temporada na casa de sua irmã, a tia que tenho como segunda mãe. Eu diria que
25% da minha infância foi na casa da minha tia brincando com as minha primas,
mas a Jessica, ou como a chamamos carinhosamente Jel, era diferente pois
falávamos a mesma língua, tínhamos pouquíssima diferença de idade, 6 meses
apenas então falávamos a mesma língua.
Brincávamos
de um tudo, e tudo para nós era brinquedo, muitos dos brinquedos que ela tinha
eu não tinha então pra mim era mais do que uma colônia de férias era a
brinquedolândia, e na época do grupo “É o Tchan” fazíamos questão de na frente
da tv imitar as dançarinas. Bons tempos aqueles. Compartilhávamos tudo, íamos para todos os
clubes, fazíamos muitos passeios e eu sempre conhecia a roda de amigos novos
dela a cada férias que chegava. Éramos realmente irmãs inseparáveis, brincavam
até que éramos gêmeas. Mas quando acabavam as férias ou os dias estipulados por
mamãe, eu ficava aos prantos.
Na
minha casa eu tinha um irmão mais velho que não brincava as mesmas
brincadeiras, e minha irmã mais nova não entendia as minhas brincadeiras. Era
certo eu chegar em casa de mau humor e de cara fechada. Logo com ameaças da
minha mãe de que se eu continuasse assim eu pararia de ir pra casa da minha
tia, eu parei com este meu chilique.
No
quintal na minha casa tem um quartinho e lá eu diria que foi o inicio da
pedagogia na minha vida. Lá eu e minha irmã brincávamos de tudo, era um
cubículo, mas para nossa imaginação era a nossa casinha, o supermercado a nossa
escolinha. Foi ali que meu irmão nos ensinava lições básicas da escola, e foi
ali que comecei a gostar de ser professora fazendo da minha irmã a minha
aluninha. Usávamos nossos brinquedos de panelas e tudo o que a imaginação nos
permitia transformar para construir o cenário perfeito pegávamos até mesmo as
coisas de casa, mamãe sempre chiava porque quando levávamos pra lá o que era útil
pra ela não seria mais.
Comidinha
de mato, bonecas, e tapetes de fuxico feitos pela minha avó paterna construíam
a nossa casinha e o acordo com minha irmã era que quem estuda de manhã brinca a
tarde e quem estuda a tarde brinca de manhã, e quando era férias tinha que
caber as duas. Por falar em minha avó paterna, é impossível, diria falar da minha
infância e não falar dela. Quando os fins de semana não eram na casa da minha
tia materna com minha prima, ou em casa brincando com os coleguinhas da rua meu
pai nos levava para a casa dela. Ela amava nossa companhia e sempre nos ensinava
a costurar, (foi ela quem me ensinou!) quando não era hora de costurar
estávamos na cozinha ela preparava doces caseiros e sempre comprava uma
besteirinha, e lá perto dela moravam dois primos meus que nos atraiam com suas
brincadeiras, e como tinha muitas plantas na vizinhança era certo ou voltarmos
além de sujos, também cortados, porque nos acabávamos brincando de pega-pega e
pique esconde no meio do mato alto. E pra encerrar a visita a vovó delicada
vinha com a mão trincando de moedinhas, sempre imaginei que ali era uma forma
dela expressar o carinho e a gratidão por estarmos com ela. Quando já noitinha agente voltava pra casa,
mas se minha mãe estivesse trabalhando ainda íamos busca-la. E lembro-me de
nesta época estar sendo alfabetizada então de dentro do carro, vendo os
letreiros e os outdoors eu amava ficar lendo em voz alta. Em meio a estas
brincadeiras sofri com a separação dos meus pais e, mas do muito que chorei
continuei sendo criança e com um pouco de egocentrismo achei que agora tudo dobraria
pra mim. Mas eu só achei mesmo.
Minha
avó materna não menos importante também nos deixava fazer aquela baguncinha no
seu quintal, mas depois não tínhamos como escapar da bagunça precisávamos arrumar
se não ela ficava muito brava. No final aquela merendinha e nada diferente das
outras avós sempre nos trazia aquelas moedinhas e um “Deus te abençoe” ao
despedir-se após pedirmos a benção.
Enfim,
na escola eu tagarela toda, mais muito elogiada por ser inteligente e
obediente, mas admito já fiz minha mãe comparecer na diretoria por eu dar umas
conversadinhas durante a aula, mas a culpa era sempre das minhas colegas que
sentavam perto de mim e me disparavam. Passei por muitas escolinhas
particulares durante a minha educação infantil, mas uma me marcou muito até
hoje, a Escolinha Bem Me Quer, onde aprendi a ler e escrever.
Se
há algo que marcou a minha alfabetização com intensidade foi a minha
dificuldade em realizar os exercícios, e lá em casa a função era da minha mãe
que apesar de ter tido dificuldades para estudar era sempre muito inteligente e
queria que nós não sofrêssemos o que foi um dia as sua frustração, não ter
estudados até a Faculdade. Ela que às vezes muito cansada e acredito que até
estressada vinha e me ensinava, e quando era dia de matemática, estava armada a
confusão! Acabava meu pai intervindo acho que com medo dela me sentar um tapão.
Porém o que acredito trazer a memória é o que realmente vale a pena se lembrar;
a maneira como fui persuadida na escolinha a aprender a ler e escrever e a
insistência e preocupação da minha família com o meu futuro. E se estou hoje
aqui é porque os seus gritões mãe me fizeram entender que o estudo é tão
importante na vida de uma criança como o brincar e o comer.
A
doce professora Rosa, prendia minha atenção primeiramente por seus longos e
encaracolados cabelos, e sempre com seu sorriso memorável e seu meigo jeito de
nos dizer “não meu amor, não é assim” ou então um satisfatório (ao menos para
mim) “Parabéns!”. Com esta professora tudo ficava prazeroso. Posso até está
romantizando a historia, mas as marcas da compreensão e paciência que esta
minha “Doce Professora” me deixou são reais até os dias de hoje. Mais tarde,
mudando de serie não tive mais o mesmo contato com ela e logo ela teve de se ausentar.
Ela
marcou-me o suficiente para eu não só aprender (apesar das dificuldades), mas
também imita-la, como havia dito anteriormente, amava brincar de Escolinha, e
de preferencia eu queria ser a professora. Como eu me divertia!
Trazendo
a memória momentos da minha alfabetização lembro-me de uma professora amável e
divertida, a Pró Rosa nunca me pareceu ser chata e nem alienada, apesar de
naquela época eu não ter senso critico ainda (acredito) na verdade não há
recordações ruins sobre ela. Talvez toda
a dificuldade que enfrentei durante os meus primeiros passos de aprendizagem
realmente não deva ser significativa ao ponto de roubar a mensagem que para mim
hoje como futura Pedagoga, Professora é muito mais importante, o de envolver o
aluno equilibrando conhecimento com afeto, afinal é uma profissão totalmente
ligada ao próximo. E durante minhas series iniciais muitas professoras com quem
estudei eram atenciosas e preparadas. Muitas delas ainda atuam na mesma escola
onde eu estudei, ensinando as mesmas series.
Em
resumo a minhas series iniciais da alfa a 1ª serie era aprendendo a ler
brincando, 2ªserie fui para escola da igreja e não tem como esquecer os piolhos
e os meus paqueras que aliá nem dava bola, 3ª a 4ª serie preconceitos por parte
de alguns da turma, porém eu nunca me inibia e nesta fase eu era fã da dupla
Sandy e Junior e na escola quando era dia das crianças eu e um colega meu
sempre os imitávamos. E nesta mesma época eu já estava me envolvendo com os
ministérios da igreja pra minha idade e ganhava sempre um destaque. Digo que
não deu tempo das chacotas dos colegas me fazerem chorar. Logo superei e isto
passou a ser pra mim apenas uma fase
assim como o complexo de inferioridade que quase desenvolvi, acredito que eu
soube canalizar para as brincadeiras e
para as atividades que mais me davam prazer. Aqui dou destaque para a
importância do brincar para a criança parecia que nas minhas brincadeiras eu
extravasava, e refazia meus pensamentos de novo assim meio que
inconscientemente eu fui aprendendo que o melhor remédio era brincar.
Logo meus pais não tendo mais como nos manter
em escolas particulares na 5ª serie do fundamental fui para a escola publica e
lá conheci meu noivo lindo, e esta é mais uma daquelas longas historias do
destino, escritas pelos dedos de Deus. Trocávamos cartinhas, mas e
inocentemente ele queria me namorar, mas eu obedecia meus pais e deixei claro
que eu só queria estudar. Na 7ª serie mudei de escola e nos distanciamos, mas o
tempo nos pregou uma peça e olha nós aqui agora noivando. Com minhas bonecas Barbies
na mochila nesta idade ainda elas iam me acompanhando e no intervalo enquanto
as outras meninas brincavam de “bonecos” eu fazia questão de na sala sozinha
brincar com minhas bonequinhas e aproveitando cada segundo da “inocência” que
em mim ainda havia. Enfim nesta serie eu tinha 13 anos e sei que a infância
acabaria mais ou menos aqui, mas acredito que ela não acaba ela dorme e se
desfaça assim eu senti.
Às vezes penso que por ter sido muito mimada
por meu pai e ter tido muito da minha mãe é que sou assim, me sinto em uma
infância sem fim, mas a minha infância teve sem duvida a atenção o cuidar,
educar, e brincar que toda criança deveria experimentar. Hoje tenho uma
sobrinha e é com ela que revivo e relembro coisas da minha infância, é com ela
hoje que brinco de ser criança.
Concluo
dizendo que esta nada breve fase da minha vida na pratica tem seu fim, mas
acredito que dentro de nós a infância nem sempre precisa de uma criança para
ressurgir. Afirmo que tudo que pude graças
a Deus e aos meus pais eu vivi, não pulei nenhuma fazer e meus pais mesmo não
tendo recebido a melhor infância souberam juntos ou separados construiu um
pouquinho de mim. Nasci, chorei, sorri, brinquei, fiz tudo o que uma criança
tem direito nesta vida de viver.

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