![]() |
| A Pró Rosa e eu na minha formatura da alfabetização |
Se há algo que marcou a
minha alfabetização com intensidade foi a minha dificuldade em realizar os exercícios.
Porém o que acredito trazer a memória é o que realmente vale a pena se lembrar;
a maneira como fui persuadida na escolinha a aprender a ler e escrever.
A doce professora Rosa,
que prendia minha atenção primeiramente por seus longos e encaracolados
cabelos, e sempre com seu sorriso memorável e seu meigo jeito de nos dizer “não
meu amor, não é assim” ou então um satisfatório (ao menos para mim) “Parabéns!”,
com esta professora tudo ficava prazeroso. Posso até está romantizando a
historia, mas as marcas da compreensão e paciência que esta minha “Doce
Professora” me deixou são reais até os dias de hoje. Mais tarde, mudando de
serie não tive mais o mesmo contato com ela e logo ela teve de se ausentar.
Pincelando o mestre Paulo
Freire percebo que não tem como falarmos de alfabetização e não cita-lo, pois
ele dava uma aula de educação e ensino. Como não inserir neste meu diário de
bordo seus pensamentos a respeito da relação aluno e professor quando o próprio
Freire fala disto tão bem?
Um dos primeiros pontos
que farei uso é o que Paulo Freire titula em seu livro “Pedagogia da Autonomia os saberes necessários á prática educativa.” como “Ensinar exige querer bem os educandos” (p.90).
Pelo que pude perceber neste capitulo (cap. 3) Freire trará a discussão a
postura também de humanismo do professor.
Acredito que apesar de
este tema estar no final do livro, na minha alfabetização isto foi primordial
para a Professora Rosa. Afinal como alguém conseguia ensinar com seriedade e
com tanto carinho sem exceder nem um nem outro? Noto que Freire deixa muito
claro que o querer bem que ele se refere está muito ligado a “alegria de viver”.
O que me parecia era justamente isto que a Pró Rosa sentia, sempre sorrindo. De
onde vinha todo aquele humor e paciência?
Nesta discussão eu acredito
que Paulo Freire liga muito o bem estar, á alegria, ao prazer na docência, e á
rigorosidade também.
É falso também tomar como inconciliáveis seriedade docente e
alegria, como se a alegria fosse inimiga da rigoridade. Pelo contrário, quanto
mais metodicamente rigoroso me torno na minha busca e na minha docência, tanto
mais alegre me sinto e esperançoso também. (FREIRE, Paulo. p.90)
Enfim, não sei se a minha
“Doce Professora” da alfabetização lera esta obra, mas o que ela deixou em mim
marcou-me o suficiente para eu não só aprender (apesar das dificuldades), mas
também imita-la, amava brincar de Escolinha, onde eu era a professora. Como eu
me divertia! Trazendo a memória momentos da minha alfabetização lembro-me desta professora amável e divertida, a Pró Rosa nunca me pareceu ser chata e nem
alienada, apesar de naquela época eu não ter senso critico ainda (acredito) na
verdade não há recordações ruins sobre ela.
Talvez toda a dificuldade que enfrentei durante os meus primeiros passos
de aprendizagem realmente não deva ser significativa ao ponto de roubar a
mensagem que para mim hoje como futura Pedagoga, Professora é muito mais
importante, o de envolver o aluno equilibrando conhecimento com afeto, afinal é
uma profissão totalmente ligada ao próximo. E durante minhas series iniciais
muitas professoras com quem estudei eram atenciosas e preparadas. Muitas delas
ainda atuam na mesma escola da minha alfabetização, ensinando as mesmas series.
Enfim, Freire educava jovens e
adultos, mas não havia para ele restrições quanto a mensagem que transmitia
para os docentes, a ideia dele era o progresso e eu vivo o progresso desde a
minha alfabetização. Estou na universidade e desejando ser professora desejando ser tão boa quanto a
minha bela e gentil professora que me alfabetizou. “Não importa com que faixa etária trabalhe o
educador ou a educadora. O nosso é um trabalho realizado com gente, miúda,
jovem ou adulta, mas gente em permanente processo de busca.” (p. 91).




